A INSPIRAÇÃO DE PERIVALDO

Agosto 2nd, 2010 de admin

perivaldo 1 - perivaldo 1
Foto retirada de ocampodossonhos.blogspot.com

Se não soubesse que Perivaldo estava morando na Coréia do Sul poderia jurar de pés juntos que o soteropolitano tinha feira uma visita à concentração do Botafogo em Salvador. Só isso podia explicar a insistência de Jóbson nos cruzamentos sobre a área do vitória, sempre por trás dos gols. Digo isso para desfazer uma injustiça. Peri da Pituba, o nosso lateral-direito nos anos 1970 e 1980, era tido como um perna-de-pau. Uma inverdade. É fato que ele, muito voluntarioso, cheio de ímpeto, lançava às vezes várias bolas por trás das balizas. Mas a qualidade dele era grande, tanto que chegou à seleção brasileira. Se bem que hoje essas coisas não querem dizer muita coisa. Naquela época era diferente. Só um jogador de boas qualidades aparecia na lista de convocados. Além disso Perivaldo conseguiu uma façanha que, se não o orgulha, é motivo para zoarmos nossos rivais. Num Botafogo e flamengo, ele chateou tanto Zico que o jogador rubro-negro perdeu a paciência. E acabou expulso.

Mas voltando à terra de Peri. Se no primeiro tempo o Botafogo não se encontrava, com Maicosuel totalmente fora de ritmo e Lúcio Flávio num desencontro total com a nova função, a etapa final, mais precisamente os últimos dez minutos, foi de Jóbson. Inspirado pela ousadia de Perivaldo, fez dois gols e deu passe para outro. Depois da vitória de ontem, difícil encontrar alguém que critique Joel Santana. Ele só deve ter se arrependido de ter colocado Caio. Vocês repararam como ele reclamou do jogador? Os microfones da TV Globo captaram as reclamações. Na noite de Jóbson, bem que se poderia tirar a última letra do nome de Caio. Futebol se joga em pé.

A cada dia amo mais o Botafogo!

Paulo Marcelo Sampaio

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A SORTE NAS TRAVES

Julho 29th, 2010 de admin

“A sorte tem que estar sempre com o goleiro. Inclusive a trave está dentro de campo. Tem que jogar com a gente. A gente tá mais pertinho dela”, disse Paulo Sérgio a Raul Quadros, repórter da TV Globo, no vestiário do Maracanã, em 11 de outubro de 1981, logo depois dos 3 a 1 que o Botafogo aplicou sobre o vasco, que pôs fim a cinco anos e 19 jogos sem vitórias sobre o rival. Nesse jogo, Roberto Dinamite desperdiçou um pênalti e quase faz um gol em cobrança de falta. Nos lances, a bola explodiu no travessãoo - no pênalti - e no pé da trave direita de Paulo Sérgio.

Para quebrar esse tabu, os sempre supersticiosos dirigentes botafoguenses ouviram atentos o conselho de Cosme, roupeiro do clube. Para acabar o longo jejum, ele sugeriu uma mudança radical: camisa branca, calção branco e meias brancas, uniforme nunca usado antes.

E por uma dessas coincidências, adivinhem o número da camisa que Cosme segurava quando estava sendo entrevistado por Raul Quadros? Isso mesmo, 13, combinação de algarismos que é sorte para alguns, azar para outros.

A cada dia amo mais o Botafogo!

Paulo Marcelo Sampaio

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O BOM HUMOR DE UM HERMANO

Julho 28th, 2010 de admin

Ele chegou sob a signo da desconfiança. Estávamos, afinal, escaldados depois da passagem traumática de Escalada e Zárate. Mas aos poucos Loco Abreu, de gol em gol, de acreditar em qualquer bola, quer no ataque ou na defesa, o centroavante cabeludo conquistou a exigente torcida.

Ontem, na coletiva em General Severiano, Loco Abreu falou da convocação de Jefferson. E, como meu amigo André Barros, previu um duelo sul-americano, mas na Copa América do ano que vem, que será disputada na Argentina. Pensava no momento de um pênalti contra o Homem de Gelo. Provocou gargalhadas em todos que estavam presentes, como bem mostrou o Globo Esporte de hoje. “Tudo pode acontecer, né?”, disse, sempre bem-humorado.

Uma figura esse cara!

A cada dia amo mais o Botafogo!

Paulo Marcelo Sampaio

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COPA 2014: REPETIÇÃO DE UMA FINAL

Julho 27th, 2010 de admin

André Barros, num exercício de futurologia, avisa, no comentário logo abaixo, em itálico.

1,2,3,4,5, mil, sem o Botafogo não tem copa pro Brasil. A final vai ser contra o Uruguai no Maraca e aí Loco Abreu vai bater o último penalti com Jefferson no gol. De qualquer forma o mundo já terá um campeão: BOTAFOGO DE FUTEBOL E REGATAS

A cada dia amamos mais o Glorioso!

Paulo Marcelo Sampaio

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PARABÉNS, JEFFERSON!

Julho 26th, 2010 de admin

Já há alguns preocupados com a convocação do goleiro Jefferson para a seleção brasileira, caso do meu amigo Carlos de Paiva Abreu. Ele tem lá sua razão, já que Renan não é dos goleiros mais confiáveis. Mas é bom ver de novo um jogador do Glorioso na seleção. Afinal, a seleção, por três vezes, usou do nosso talento e voltou com a taça na mão.

Mano Menezes parece ter se convencido do grito que saem das nossas arquibancadas. “P#$% que o pariu, é o melhor goleiro do Brasil. Jefferson!”

A cada dia amo mais o Botafogo!

Paulo Marcelo Sampaio

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DESENHAR UMA NOVA ESCALAÇÃO

Julho 26th, 2010 de admin

Depois do jogo de hoje está mais do que provado de que Fahel e Lúcio Flávio não têm mais vez como titulares do Botagfogo. Nem tampouco Leandro Guerreitro.

E, apesar de tudo, continuo defendendo a tese de que a torcida que vai ao Engenhão tem ajudado pouco o nosso time em campo. Gritem, mas a favor do Botafogo.

E parem de confundir política com o que acontece dentro das quatro linhas.

Misturar política interna com futebol é perigoso, muito perigoso. É juntar lé com cré!

A cada dia amo mais o Botafogo!

Paulo Marcelo Sampaio

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EM NOME DE UMA AMIZADE

Julho 25th, 2010 de admin

“Me deixa cheirá-lo pra ver se é bom”, disse Eduardo Coutinho, o gênio dos documentários, ao receber de minhas mãos, o 21 depois de 21, livro que escrevi em parceria com Rafael Casé. Ainda surpreso com a abordagem, Coutinho, fumante inveterado e radical, tomava um cafezinho numa calçada do Jardim Botânico, zona Sul do Rio de Janeiro, e lia, no começo da noite de sábado, a edição dominical da Folha de S.Paulo. Era o único lugar para as pitadas deste senhor de 77 anos, cabelos muito grisalhos, já teimando em encontrar o branco. “Fumo há 50 anos. Por que largar o cigarro agora?”, perguntava num tom de rabugice bem-humorada.

Explico a ele o argumento do livro. “Eu não tenho mais time. Era Corinthians. Mas depois desisti. Eles até montaram um bom time em 54. Mas cansei. Ser corintiano é pior do que ser botafoguense. Em São Paulo nem sol tem”, brinca comigo. “Depois veio o Santos. Naquele time até o Dorval jogava bem. Me lembro de um jogo em que fui o primeiro a chegar. Pra ficar bem perto daqueles jogadores. Do Pelé, do Coutinho, do Nilton Santos, do Garrincha. Escolhi ficar exatamente na linha que divide o meio-de-campo. Não me lembro o campeonato, mas o Santos tinha perdido de 3 no Rio. E precisava devolver o placar lá em São Paulo. E venceu de 5 a 0”, lembra. Depois que veio para o Rio, esqueceu desse negócio de torcer. Até conhecer João Moreira Salles. E em nome dessa amizade, adotou a estrela solitária. “Sou Botafogo pro João não se matar”, diz, mais uma vez, gozador, olhando para a foto que ilustra a apresentação, onde o amigo, ainda Joãozinho de calças curtas, enverga, ao lado do mãe e de uma prima, a camisa gloriosa.

Sem querer mais atrapalhar a leitura do mestre do plano sequência, me despeço de Coutinho, mais um intelectual que tem afeição pelo nosso Botafogo, o clube que, a cada dia, amo mais.

Paulo Marcelo Sampaio

Obs.: Desculpem-me a falta de comentários depois do jogo contra o Palmeiras. É que não deu pra ver o jogo. E quando isso acontece, tento me desligar. É muito estresse ouvir um jogo pelo rádio. Naquela noite de quinta recorri ao meu amigo Fabio Snoopy, que informava o que acontecia nos últimos agoniantes três minutos. Pelo que ouvi, Joel abriu mão da vitória. Mas sou contra chamar outro treinador. Há que se ter gratidão.

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MUDAR, ANTES QUE SEJA TARDE!

Julho 19th, 2010 de admin

Noves fora o gol mal anulado, o pênalti não marcado o Botafogo não merecia ter saído com vitória no jogo contra o Guarani. O primeiro tempo foi tão frio quanto a temperatura no Engenhão. Quando o melhor em campo é o Somália - sim, ele mesmo, acreditem! - há algo de errado no reino de General Severiano. Havia algo mesmo de muito estranho. Herrera teve sua pior atuação desde que chegou ao clube. “Não pode o time, em casa, tendo que ganhar, entrar com três zagueiros contra o Guarani”, me falava Marcos Müller. Tinha razão o meu amigo.

Acho, sinceramente, esse negócio de ala uma bobagem. Quem chamava Marinho Chagas de ala? Ele era simplesmente lateral. Se se aventurasse pela ataque e errasse, teria que aturar as críticas. Nilton Santos, que revoluciononou a posição, nunca deixou de dar conta de sua função. Ontem nosso Glorioso esteve muito perdido. Que me levou a uma reflexão: será que vale a pena ir aos estádios numa situação como essa? Creiam, caros leitores: com um minuto de jogo Lúcio Flávio já era alvo de vaias. Estou muito longe de ser fã dele, mas isso é uma atitude que não dá pra entender. A torcida anda muito impaciente, mal-educada até. Foi isso que levou Joel Santana a encará-la, censurá-la sem um único gesto ainda no primeiro tempo. Só olho no olho.

Verdade que Joel escalou mal. Parece que ter entrado nessa cantilena de três zagueiros e dois alas. Tem que voltar ao tradicional. O time pode melhorar com laterais puros, que primeiro se preocupem em defender. Esse negócio de ala é uma balela. E se não fosse balela, mesmo assim os coitados do Alessandro e do Marcelo Cordeiro não têm competência pra atacar. O Cordeiro nem driblar sabe. O time, com o que temos seria Jefferson, Alessandro, Danny Moraes, Fabio Ferreira e Marcelo Cordeiro; Fahel, Leandro Guerreiro, Herrera e Maicosuel; Jobson e Loco Abreu. Caio, que anda mascaradinho, seria opção pro segundo tempo.

Repito: quando o melhor em campo é Somália, há algo de errado no reino de General Severiano.

A cada novo dia amo mais o Botafogo!

Paulo Marcelo Sampaio

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A DERROTA E DUAS FRASES

Julho 15th, 2010 de admin

Se Lúcio Flávio se chamasse Lucic Flavic teríamos vencido o jogo! Que agosto chegue logo!

A cada dia amo mais o Botafogo!

Paulo Marcelo Sampaio

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“DANEM-SE ELES!”

Julho 14th, 2010 de admin

saldanha2 1 2 - saldanha2 1 2

Quem esteve em Nápoles na noite de 3 de julho de 1990 garante: muitos italianos no estádio de San Paolo torciam contra a Azzura, que disputava com a Argentina uma vaga na final de Copa do Mundo. Não era nenhum tipo de anti-patriotismo, qualquer rebeldia. Os napolitanos poderiam até ter motivos para isso. Afinal de contas, ocupavam a parte pobre do País da Bota, em contraste com o luxo do norte.

Mas a “traição” media um metro e sessenta e cinco centímetros distribuídos em oitenta e sete quilos e atendia pelo nome de Diego Maradona. Ídolo do Napoli, El Pibe de Oro comandara o clube nos dois primeiros scuidetos de sua histófria, nas temporadas de 87/87 e 89/90. Tanta torcida deu resultado. A exemplo dos botafoguenses na última Copa que torceram pelo Uruguai, os tiffosi adotaram a seleção de Don Diego. Os que não tinham nada a ver com os italianos do sul se cobriram de tristeza. Mas tanta desolação não sensibilizou João Saldanha, seco em seu comentário, na TV Manchete. “Danem-se eles [os italianos]. Eles já nos fizeram passar por essa tristeza [J.S se referia à derrota do Brasil em 82]” . Nove dias depois, o jornalista, que lutou contra tudo e contra todos para ver mais uma Copa, nos deixava.

Irreverência e destemor, algumas das marcas de Saldanha. E para provar esses adjetivos, fui protagonista de um episódio com o comentarista que o Brasil consagrou. Um dia, em São Januário, antes de um jogo contra o Volta Redonda, em 89, o abordei, ele sempre cercado de torcedores onde quer que chegasse. “João, se o Botafogo for campeão, vamos pedir uma autorização à Vale do Rio Doce [a dona do terreno] para fazer uma pelada em comemoração ao título? A gente chega lá, corta aquele mato e organiza um jogo entre antigos jogadores e botafoguenses famosos?”, sugeriu. “Autorização? Pra que autorização? A gente invade aquilo lá”, respondeu, indignado, mas com um leve sorriso no canto da boca.

A cada dia amo mais o Botafogo!

Paulo Marcelo Sampaio

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