O DIA EM QUE SANDRO E SALDANHA VENCERAM UM ESCRITOR

Fevereiro 20th, 2010 de admin

Muito já se falou, aqui e em outros lugares, que o Botafogo é o clube de muitos intelectuais. Isso é fato! Inúmeros escritores, outros tantos cronistas e mais um punhado de jornalistas de renome torceram pelo nosso Glorioso.

No número 72 da avenida Wenceslau Braz, que abriga o nosso palacete e era também endereço do lindo estádio que já nao existe mais, brilharam jogadores como Nilo Murtinho Braga, Carvalho Leite, Heleno de Freitas, Mané Garrincha e tantos, tantos outros. Folheando uma de minhas revistas, descubro que naquela terra sagrada pisaram nomes ilustres, como as cantoras Maysa Matarazzo, a deusa da fossa, em outubro de 1958 e Dalva de Oliveira, em janeiro de 1959 e a atriz Dulcina de Moraes, em novembro em 1963. Os shows eram tão concorridos que atraíam sócios não tão frequentes das noites de gala botafoguenses, como João Saldanha, Armando Nogueira e o médico Nova Monteiro.

Naquele Olimpo eram disputadas as Olimpíadas Botafoguenses. Na segunda edição, em 1958, o homenageado foi Julien Gomes de Oliveira. Ele obteve a Honra à Fidelidade, prêmio dado ao atleta que defendesse por dez temporadas consecutivas as nossas cores. O atleta de basquete foi saudado por Alceu Mendes de Oliveira Castro. Mas essa competição entrou para história como aquela que colocou, frente a frente, por um lado João Saldanha e Sandro Moreyra e por outro, Paulo Mendes Campos.

Com a ausência de muitos craques do passado, a partida do futebol dos veteranos acabou sendo considerada extra-olimpíada. Reparem bem nas escalações das equipes, prova de que o Botafogo é mesmo o clube da massa cinzenta.

Equipe Glorioso: Germano Boettcher Sobrinho, Paulo Amaral e Marinho Rodrigues de Oliveira; Luiz Serpa Coelho Junior, Honorato Bernardo de Oliveira e João Saldanha; Sandro Moreyra, Alberto Piragibe de Lemos, o Pirica, Alfredo Alzuguir, Jorge Rangel e Alvaro Carreira.

Equipe Estrela Solitária: Joaquim Torres da Rocha, Juvenal Francisco Dias e Nabih Alzuguir; Sylvio Morand, Oswaldo dos Santos Leão, o Cangate e Paulo Mendes Campos; Jorge Campello, Mauricio Porto, Ek Franco Seixas, Emilio Beakilini e Sebastião Araújo.

João Citro foi o juiz da partida, que terminou com a vitória do Glorioso por 4 a 3, gols de Luiz Serpa, Honorato, João Saldanha e Pirica. Pela Estrela Solitária marcaram Juvenal, duas vezes e Cangate. Pena não haver fotos desse encontro!

É por essas e outras tantas histórias que amo o Botafogo!

Paulo Marcelo Sampaio

Enviado em Botafogo | 4 comentários »

UMA VITÓRIA ÉPICA

Fevereiro 18th, 2010 de admin

São quatro e dez da madrugada. E eu, depois de um périplo pelos bares da cidade, estou aqui encasquetado: qual seria a manchete da vez? JOEL É FODA! ou CAIO, O VERDADEIRO IMPERADOR!??? Sem saber a resposta, lembro-me daqueles filmes de Hollywood, bem anos 50. Épicos, eu diria. Porque épica foi a vitória do Botafogo. Nada mais Botafogo como a vitória de hoje. A vitória surgida do embate entre o Davi e Golias. A vitória do nada, quando ninguém esperava a vitória. E por que ganhamos? Porque fomos Botafogo. Porque lutamos como Botafogo. Porque os jogadores - uns mais, outros menos - honraram a camisa que vestiam.

O gigante da vez foi um tal de Caio. Quando Joel Santana resolveu colocá-lo no lugar de Lúcio Flávio, chiei com meu vizinho de lado, o Antonio Ribeiro, que levou seu filho , o francesinho Lucas, pela primeira vez ao Maracanã: - O Joel deveria tirar o El Loco, que não está jogando patavinas. Ainda bem que sou blogueiro e não técnico do Botafogo. Quis a estrela de Joel que El Loco participasse do lance do gol de Caio, depois de lindo passe de Herrera.

Mas uma coisa eu tinha falado, antes do jogo, no meu twitter: os grandes esquadrões do Botafogo esperavam os adversários e usavam o contra-ataque pela direita, pelos pés de Mané Garrincha. Hoje esperamos pelo bote certo. Apesar da arbitragem, sempre tendenciosa, claro, soubemos jogar.

No sul do país, mais precisamente em Florianópolis, um campeoníssimo do nosso volêi vibrava, ao lado de Paulinho Criciúma. Era Bernardinho que, ao lado da filha, esbanjava alegria nessa vitória histórica, épica e monumental de uma paixão que atende pelo nome de Botafogo de Futebol e Regatas.

A cada vitória o amo mais, meu Glorioso!

Paulo Marcelo Sampaio

Nota: Fiz uma pequena correção no post. Obrigado Christian Jafas e Paulo Rubens!

Enviado em Botafogo | 26 comentários »

O CRÉDITO DA TORCIDA

Fevereiro 17th, 2010 de admin

Ganhar ou perder é do jogo. Há derrotas feias, empates heroicos, fracassos honrosos. Só não há vitória feia: ela é sempre sacra, em quaisquer circunstâncias. Exemplos temos vários na nossa história recente. Quem não se lembra da perda do título de 2007, quando o juiz nos roubou a vitória no último minuto e perdemos nos pênaltis? Como esquecer aquele 3 a 3 de 1989, quando o gol de Vitor provocou crise nas outras bandas e nos fez partir para o fim do jejum? E a derrota para o vasco por 4 a 3, aquele do choro da Sonja, quando reagimos do nada e quase empatamos o jogo? São exemplos como esses que os jogadores têm que pensar logo mais, no Maracanã.

Fala-se, principalmente entre os adversários, que nossa torcida não vai a jogo contra nossos maiores rivais. E isso nos é cobrado, sempre. Mas há uma verdade. Se existe algum credor, este credor é a torcida. Muitos de nossos jogadores, como Lúcio Flávio e Leandro Guerreiro, é que nos devem uma épica e imaculada vitória.

A cada nova decisão amo mais o Botafogo!

Paulo Marcelo Sampaio

Enviado em Botafogo | 6 comentários »

ONDE QUER QUE ESTEJA, PARABÉNS HELENO!

Fevereiro 12th, 2010 de admin

heleno2 - heleno2 heleno6 1 2 - heleno6 1 2

Quando entrava em campo, ficava com o diabo no corpo. Fora das quatro linhas, sempre com ternos de fino corte e sapatos italianos, Heleno de Freitas desfilava elegância e boa educação. Vaidoso, carismático, bonito, o craque alimentava a idolatria dos fãs. Era atencioso, principalmente com as crianças. Como num dia da distante década de 40. Quando fez cinco anos, João Ignácio surpreendeu o pai. Só queria um presente: todo o time do Botafogo em sua festa. Impossível!, falou o pai, reduzindo a cinzas a esperança do pequeno. Para não aumentar a frustração do filho, João Pedro Müller resolveu trabalhar em silêncio. Procurou um dirigente do clube. Dias depois, quem aparece na vila? Heleno de Freitas, em carne e osso, com um brinquedo debaixo do braço: um caminhão do corpo de bombeiros.

Quem viveu os anos de ouro de Copacabana, tem história pra contar. Como Ivan Lessa, que não se esquece do primeiro jogo noturno de futebol de praia. “Os holofotes ficavam no alto de um edifício cor de rosa que tinha ali, entre Bolivar e Xavier da Silveira. No jogo principal, além de Heleno, sou capaz de jurar que tinha Maneca e Friaça também. No intervalo, os jogadores sentados na areia. Eu e outros garotos peruando. Heleno esculhambando um rapaz ruivo, ponta-esquerda, danado de bom, e que chamavam de Tijuquinha. Lembro da frase de Heleno, agressivíssima, claro, para o rapaz: “Eu passo a bola você fica lá com cara de bobo.” O fãzoca conhecia ali, bem de pertinho, o temperamento do craque.

bfr1945 1 - bfr1945 1
Botafogo de 45. Em pé: Negrão, Laranjeiras, Sarno, Ary, Spinelli e Ivan; agachados: Renê, Tovar, Heleno, Tim e Franquito.

A uma da tarde de um dia de semana, primeiro semestre de 1948, quase ninguém na praia. Ivan lembra que se fosse hoje. “Surgem, vindos da Bolívar, Heleno de Freitas e outro senhor (devia ter uns 25 anos) que estava sempre por lá, pelo posto 4 e meio, pulam do calçadão, correm pela areia. Eu, garoto botafoguense, vigoroso half-esquerdo do Dínamo, do Tião Macalé, idolatrava - não há outro verbo - Heleno. Era a única coisa de que ele não desdenhava: a idolatria. E jogar futebol, evidente. Corri, Alain Scemama e eu corremos, atrás dele. “Ei, Heleno! Heleno!’ E isso e aquilo outro. Ele e o amigo estavam jogando areia um no outro. Estou vendo o calção de Heleno. Calção de time de futebol. Negro, lacinho para fora na altura do umbigo, um número em branco do lado esquerdo. Quase que juro que eram 3 dígitos. Estávamos quase ao lado de um dos gols do Lá Vai Bola, que tinha seu campo ali mesmo. Passei a bola branca de vôlei para ele. Fui para o gol. Folguei, “Chuta, Heleno, chuta!” Ele perguntou, “Você pega mesmo?”. Disse que sim. Heleno de Freitas levou minha bola de vôlei, aquela comprada no “Lá em Casa Brinquedos”, na avenida Copacabana, 120 mil-réis, botou debaixo do braço, contou onze passos a partir do centro da baliza (Heleno com minha bola debaixo do braço e pronto para chutar, meu Deus do céu!), fez um montinho na areia, arrumou a redonda, pegou distância e chutou. Mandou uma cacetada daquelas. Se eu toco no bola, iam embora meus dedos. Heleno disse, “Foi gol”. Não discuti. Daí ele saiu correndo com o amigo pela areia e cairam na água. Eu e Alain fomos atrás. Eu jogava a bola para Heleno de Freitas. Ele devolvia. Heleno me devolvia a bola cabeceando, Heleno me devolvia a bola com as mãos. Gozado, não mostrava na água a mesma elegância ou desaforada petulância que esbanjava no campo e que, possivelmente, além de ele ser boa pinta e ter carro-esporte em dois tons de azul, fora o motivo de minha, digamos assim, admiração, que é para eu parecer menos frescão. Ou fresquinho. Assim como veio, foi-se embora com o amigo, sempre correndo, dizendo em voz alta mistérios que nunca saberei o que eram. Lá fiquei eu, as mãos vazias, o coração aos pulos. Passei uns bons tempos indo à praia no mesmíssimo lugar, mesma hora, sempre com a bola, com ou sem Alain, esperando a colher de chá de um segundo pênalti, que acabou não vindo nunca.”

bfr1946 - bfr1946
Botafogo de 46. Em pé: Ivan, Negrão, Juvenal, Gérson, Osvaldo Baliza e Belacosa; agachados: Lula, Tovar, Heleno, Geninho e Braguinha.

Na despedida do Botafogo, quando o jogador assinou o distrato, todos choraram. Um dia antes de partir para Buenos Aires, onde defenderia o boca juniors, Heleno foi procurado por Carlito Rocha. O dirigente pedia pelo amor de Deus que ele não deixasse o clube. Comovido, disse que não podia voltar atrás com sua palavra. E partiu. Certos ou errados, ingratos ou realistas, os dirigentes veriam o Botafogo ser campeão no ano seguinte, contra o Vasco - já esboço do Expresso da Vitória e base da seleção de 1950 - interrompendo um jejum de 12 anos. Sem Heleno. Da terra do tango, dia seguinte à vitória, chegou um telegrama endereçado à rua Vesceslau Brás, 72. “Jogadores profissionais do Botafogo PT Felicitações campeonato obtido PT Sinto-me radiante tão grande feito PT Viva o Botafogo PT” A mensagem era de Heleno. Mesmo fora de campo, continuava um apaixonado pelo clube.

Se existe a Santíssima Trindade no futebol, ela é Heleno de Freitas, Nilton Santos e Garrincha. Desses três deuses, Heleno, que faria 90 anos hoje, é corpo, coração e alma do Botafogo que tanto amamos.

Paulo Marcelo Sampaio

Nota: Hoje é aniversário de outro grande botafoguense. Parabéns, Juca Barros, pelos seus 10 anos de amor ao Glorioso!

Nota 2: Essas e outras histórias de Heleno podem ser lidas nos Dez mais do Botafogo, que lancei em novembro do ano passado pela Editora Maquinária.

Créditos: As fotos dos times foram retirados do site reliquiasdofutebol.blogspot.com

Enviado em Botafogo | 4 comentários »

SANTO VERDADEIRO

Fevereiro 11th, 2010 de admin

carlito 1 - carlito 1

Um amigo postou em seu twitter um comentário, logo abaixo em itálico, que bem poderia ser enviado a Joel Santana. Seria um grande estímulo para nossos jogadores.

O foguim já tombou ante São Raimundo. Agora véi canino, prepara o lombo que lá vem São Judas.

Ele não poderia ficar sem minha resposta, abaixo, em negrito, postado na madrugada de hoje: twitter.com/paulomarcelos

Santidade: depois do nosso tropeço frente ao são raimundo, tem nego achando que já ganhou! Rezem pro tal de Judas Tadeu! Temos São Carlito!

A cada novo dia amo mais o Botafogo!

Paulo Marcelo Sampaio

Enviado em Botafogo | 5 comentários »

“SEGURA O JOGO!”

Fevereiro 10th, 2010 de admin

Há duas semanas estive em Cambé, norte do Paraná. Lá me encontrei com Marquinhos, lateral-esquerdo do time campeão invicto de 1989. Ele será um dos personagens de 21 depois de 21, livro que escrevo com o amigo Rafael Case, autor do excelente O artilheiro que não sorria, a biografia de Quarentinha. Numa noite Marquinhos me apresentou a Adalberto, ex-meia-direita do londrina. Era tão bom jogador que chegou ao palmeiras.

Na década de 80, o londrina veio ao Rio jogar com aquele clube cuja camisa parece um cinto de segurança. Final de primeiro tempo e o time de Roberto Dinamite já vencia por quatro a zero. Quinze minutos do segundo tempo e o placar não mudava. Foi quando um zagueiro se vira para Adalberto, aponta para o placar e grita: “Vamos segurar o resultado. Já estamos com 38 minutos!”

O zagueirão não sabia que o placar eletrônico marcava 38 graus.

A cada novo dia amo mais o Botafogo!

Paulo Marcelo Sampaio

Enviado em Botafogo | 1 comentário »

O PREPARADOR DE ZAGUEIROS

Fevereiro 8th, 2010 de admin

gottardo - gottardo

Já existe há algum tempo o treinador de goleiros. Wagner, campeão brasileiro de 95, ocupa o posto no Botafogo.

Diante das preocupantes atuações de nossos zagueiros ao longo dos três últimos anos, por que não contratar um preparador de zagueiros?

Que tal Wilson Roberto Gottardo (acima, em foto de Rafael Casé) assumir esse posto?

A cada dia amo mais o Botafogo!

Paulo Marcelo Sampaio

Enviado em Botafogo | 9 comentários »

NA BEIRA DO CAMPO, OS OLHOS DO TORCEDOR

Fevereiro 7th, 2010 de admin

Já há algum tempo torcida e time andam às turras. Como em qualquer relação há excessos dos dois lados. Mas, na maioria das vezes, acho que a voz do povo é a voz de Deus, como diz o surrado ditado. Como um jogador pode cobrar uma mudança de postura da torcida num campeonato em que sofre uma goleada humilhante?

Só mesmo a experiência de Joel Santana para juntar tantros cacos num curto espaço de tempo. Depois do susto inicial, o Botafogo levou a melhor, sempre pelo alto, numa tarde em que Loco Abreu nos fez lembrar dos velhos tempos de Chicão, nosso artilheiro de 92.

E por que falo de Joel? Porque ele, mais do que ninguém, sabe ver um elenco com os olhos de quem está na arquibancada. Depois dos 5 a 2 contra o resende, quando todos deixavam o campo, Joel pediu aos jogadores - titulares, reservas e substituídos - que fossem ao centro de campo para selar a paz com a torcida, com certeza a mais passional e a mais apaixonada pelo clube da estrela solitária.

A cada dia amo mais o Botafogo!

Paulo Marcelo Sampaio

Enviado em Botafogo | 7 comentários »

GUERRA É GUERRA!

Fevereiro 7th, 2010 de admin

Tempo técnico. Botafogo empata em 1 a 1. Daqui da redação vejo que Joel Santana não permite a aproximação da equipe de TV que transmite a partida. A atitude é muito criticada por Lucas Pereira, narrador do PFC.

Ora bolas! Um auxiliar do técnico do resende não poderia estar ouvindo as instruções de Joel para depois, como bom espião, repassá-la a seu chefe?

Faz muito certo o Joel!

A cada dia amo mais o Botafogo!

Paulo Marcelo Sampaio

P.S.: Escrito às 17h32

Enviado em Botafogo | 3 comentários »

VIDA EM PRETO E BRANCO

Fevereiro 5th, 2010 de admin

por Karla Coelho

Quase nunca invado aqui, só em datas especiais. E hoje é aniversário do grande Paulo Marcelo. Espero que ele não fique bravo, mas senti a liberdade de estar aqui por uma causa justa!

Parabe4ns PM! Felicidades!

Uma homenagem a esse cara que a cada dia ama mais o Botafogo e que escreve com paixão sobre a história do Glorioso!

Parabéns e vida longa! Beijos!

****

Obrigado, Karlinha, pela homenagem!

A cada dia amo mais o Botafogo!

Paulo Marcelo Sampaio

Enviado em Botafogo | 15 comentários »

« Página Anterior Próxima Página »